Como CPT de Iguatu realizou nessa quinta dia 22 de Janeiro de 2015, Mais Um Oficina de Formação Sobre o Projeto de Combate ao Trafico Humano. O Referido Encontro Contou com a Presença de Diversas Organizações. Onde pudemos conhecer hum Serviços OS POUCO? Sobre desenvolvidos Pelos Cras, Creas e Conselho Tutelar Grandes Parceiros do Projeto.
A Pastoral Social é uma árvore que mergulha na terra suas raízes profundas. Delas vem a seiva que alimenta sua espiritualidade. Ao longo do caminho, a ação social abriu poços onde encontra a água viva que sustenta sua caminhada. A Pastoral Social é uma árvore que mergulha na terra suas raízes profundas.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
PASTORAIS SOCIAIS DA DIOCESE DE IGUATU SE REUNEM PARA ESTUDAREM TEMA DA CF 2015
Como Pastorais Sociais da Diocese de Iguatu, estiveram Reunidas Neste dia 21 de Janeiro de 2015, parágrafo estudarem o Tema da CF 2015- Igreja e Sociedade, Lema: Eu vim parágrafo SERVIR e also rever o Calendário das Ações Pará este ano.
CPT DE IGUATU REALIZA 1ª REUNIÃO DA COORDENAÇÃO DIOCESANA DE 2015
No dia 20 de Janeiro de 2015, a Equipe de Coordenação da CPT da Diocese de Iguatu, se reuniu Pará retomar OS Trabalhos of this ano. A Referida Reunião foi hum momento de Muita Reflexão Sobre a Nossa Caminhada e Estratégias de continuidade.
sábado, 17 de janeiro de 2015
CPT Regional Realiza Primeira Reunião Ampliada da 17ª Romaria da Terra e 1ª Romaria das Águas
No dia 17 de Janeiro de 2015, um da CPT Representantes Ceará, Comissão Pastoral dos Pescadores e Comunidades Eclesiais de Base, estiveram Reunidos com Padres, Lideranças e Organizações da CRP Paroquial Nossa Senhora da Assunção em Viçosa do Ceará Pará construírem juntos uma 17ª Romaria da Terra e 1ª Romaria das Águas, a Neste Encontro fizemos Uma breve Apresentação
Apresentação Sobre o Que significa Romaria E Depois montamos como Equipes de Serviços. O dia encerrou com uma visita da COMISSÃO Regional AOS Espaços Onde deverão Acontecer como contrações dos Romeiros e Romeiras da Terra.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
'Se tirarmos OS Pobres do Evangelho, Não entendemos a Mensagem de Jesus' '
'Se tirarmos OS Pobres Fazer Evangelho, Não entendemos a Mensagem de Jesus' '
Francisco , na homilia na Missa em Manila Celebrada COM Bispos, Padres e seminaristas: "ELES São o Coração do evangelho". Família e Matrimonio São "Cada Vez Mais Solucar ataque de Forças PODEROSAS Que ameaçam desfigurar o plano criador de Deus". E Depois Abraça as Crianças de rua. A reportagem E de Andrea Tornielli , Publicada no sítio Vatican Insider , 16-01-2015. A Tradução e de Moisés Sbardelotto .
"Pobres ósmio estao no centro do Evangelho, São o Coração do Evangelho. Se tirarmos OS Fazer Evangelho, NÃO PODEMOS entendre a Mensagem de Jesus Cristo ... " Francisco OS Tira Olhos do texto Preparado da homilia e improvisação, em Ingles, poucas Palavras , Paragrafo Lembrar O Que ELE Já repetiu VÁRIAS vezes Durante OS Quase Dois ano Fazer Seu pontificado: a. Atenção AOS Pobres Não É Uma categoria sociológica, mas ESTÁ ligada Ao essencial da Mensagem evangélica A catedral de Manila , dedicada à Imaculada Conceição , e Considerada a "mãe de Todas Como Igrejas das Filipinas ", E uma versão oitava da Igreja construida com bambu e da Folha de palmeira em 1581. Ao Longo da SUA História, foi repetidamente devastada tufões POR, incendios, terremotos, bombardeios. A Construção Atual, que remonta AOS ano de 1950, foi fechada Ao culto em 2012, Paragrafo Trabalhos de Restauração Por Causa fazer terremoto, e foi reaberta este ano. . Na SUA chegada, o papa foi acolhido Por Um grupo de Crianças vestidas Como guardas suíços Na homilia da missa, refletindo Sobre o Evangelho do dia, Que Fala das Perguntas Feitas POR Jesus a Pedro : "Tu me amas", o papa começou ESTA citando frase: "Tu me amas?". E OS PRESENTES imediatamente responderam em Alta voz: "Sim!". "Muito obrigado ..." , respondeu, Sorrindo, Francisco . O papa dirigiu hum Primeiro Pensamento AOS Pastores das Gerações Passadas, que "se esforçaram NÃO Só Para pregar o Evangelho, MAS também Pará forjar Uma Sociedade Inspirada na Mensagem evangélica da Caridade, do Perdão, da Solidariedade ao Serviço Comum fazer bem ". "O Nosso Ministério - explicou Francisco - e Um Ministério de Reconciliação Proclamamos a Boa Nova do amor, da Misericórdia e da compaixão sem fim de Deus. ". "A Igreja NAS Filipinas - Disse Francisco - E Chamada a reconhecer e combater Como Causas da Desigualdade e da injustiça, enraizadas Profundamente, que Mancham O Rosto da Sociedade filipina, em claro contraste com o ensinamento de Cristo . O Evangelho Chama Cada hum Cristão viver Uma vida honesta, íntegra e comprometida com o Bem Comum. Mas também Chama Como comunidades Cristãs a criarem 'círculos de honestidade ", Redes de Solidariedade Que possam se estender na Sociedade Pará Transforma-la com o Seu Testemunho profético".
DEPOIS, o papa acrescentou de improviso Como Palavras? Sobre Pobres OS não Evangelho. E continuou com hum Apelo EAO Bispos e Sacerdotes de Serém testemunhas autênticas: "PODEMOS Como proclamar hum Novidade EO Poder libertador da cruz AOS Outros se justamente NÃO permitimos Que a Palavra de Deus agite O Nosso Orgulho, O Nosso medo de se change, NOSSOS OS Compromissos mesquinhos com Uma mentalidade Deste Mundo, A Nossa mundanidade espiritual? ". Francisco pediu que OS PASTORES "vivam de Modo a refletir a Pobreza de Cristo , cuja vida Inteira foi centrada em Fazer a Vontade de Deus é em SERVIR Outros EAO. Um Grande Ameaça hum ISSO, Naturalmente, E CAIR em Um certo materialismo Que PODE se insinuar na Nossa vida e comprometer o Testemunho Que oferecemos. Só Tornando-SOE, mesmos NOS, Pobres, eliminando a autocomplacência Nossa, poderemos identificar com nsa Os Últimos Entre OS NOSSOS Irmãos e Irmãs ". Por Fim, o papa convidou EM particulares, padres e seminaristas Os Jovens a estarem presentes "em Meio AOS Jovens, que PODEM Estar confusos e abatidos", e "perto daqueles que, Vivendo em Meio a Uma Sociedade sobrecarregada Pela Pobreza e Pela Corrupção, estao desencorajados, tentados a abandonar Tudo, a deixar UM EA escola viver Pssaro ". E lhes pediu Pará proclamarem "A Verdade Beleza eA Fazer Matrimonio Cristão a Uma Sociedade Que É tentada POR Modos confusos de ver a Sexualidade, o matrimonio eA Família. Como VOCÊS Sabem, essas Realidades estao Cada Vez Mais Solucar ataque de Forças PODEROSAS Que ameaçam desfigurar o plano criador de Deus e trair OS verdadeiros Valores Que inspiraram e Deram forma Ao Que há de belo na cultura de VOCÊS ".O papa deixou Uma catedral hum Bordo de hum Pequeno Carro Preto populares. POUCO ANTES, Perto da Catedral, ELE encontrou hum Grupo de Meninas e Meninos 300 Pobres resgatados da Rua e da Prostituição Pela Fundação Anak-TNK ( www.anak- tnk.org ), Uma ONG ligada à Igreja e Fundada Por Um Francês Jesuita, difundida muitos EM Países do Mundo.
O cardeal Luis Antonio Tagle , em setembro Passado, havia Entregue a Francisco mil cartas Escritas Pelas Crianças de rua e hum vídeo: ELAS LHE pediam Que ELE fosse Encontra-las. E ELE aceitou, embora Uma visita NÃO tenha Sido inserida no oficial Programa. O Encontro ocorreu no pátio. Muitos dos PRESENTES abraçaram Francisco e LHE entregaram Pequenos PRESENTES.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
A seca chega ao Velho Chico
As consequências
da estiagem que atinge algumas regiões brasileiras desde 2013
têm sido intensas. O Sudeste é uma das mais afetadas, como demonstra a seca que
assola a cidade de São Paulo e seu entorno. A crise de
abastecimento de água na metrópole com mais de 18 milhões de habitantes é um
dos símbolos mais fortes dessa situação. A reportagem é de Jaime t.
Oliva, publicada pela revista Carta Capital, 12-01-2015. Outro
acontecimento chocante causa consternação: a principal nascente do Rio São Francisco, na Serra da Canastra,
está seca. Se quisermos nos exasperar ainda mais, é só testar o efeito que a
combinação da seca da nascente do São Francisco, com a transposição
de parte de suas águas para o Nordeste Setentrional, com as ameaças
do aquecimento global produz em nós. O que está ocorrendo com nossa tropicalidade
tão farta em água, aliás, a característica-chave dessa condição?Antes que a
consternação e as preocupações justas se transformem em paranoia, é importante
revisitar alguns aspectos essenciais da dinâmica dos rios e, de um modo
particular, aqueles que dão especificidade ao Velho São Francisco. Os
rios dependem de um fenômeno mais amplo em termos escalares: o ciclo
hidrológico. A evaporação das águas dos oceanos, transportadas pelos
complexos sistemas atmosféricos, transforma-se em precipitação nas áreas
continentais. As águas seguem, a partir daí, dois caminhos para formar os rios:
infiltram-se no solo até encontrar rochas impermeáveis, acumulam-se e formam os
lençóis subterrâneos (ou freáticos, no sentido de que a infiltração da água foi
freada). Essas águas escoam subterraneamente, seguindo a declividade da camada
rochosa impermeável, até encontrarem a superfície, formando uma nascente de
água.
O constante fluxo que brotou tende a formar canais, mais ou menos fixos, por onde a água correrá. Mas há também escoamento superficial das águas que não se infiltram nos solos e que, seguindo a declividade do relevo, terminam se juntando aos canais que escoam das nascentes, aumentando, desse modo, o volume das águas. São essas dinâmicas complexas e combinadas que formam um rio. Um rio é, portanto, um curso d’água com um canal relativamente definido, cujas nascentes localizam-se geralmente nas encostas de montanhas ou serras, e cujo volume é aumentado em seu leito por outros rios e pelo escoamento superficial das águas. Com exceção dos rios amazônicos, situados em áreas de intensa pluviosidade, todos os demais oscilam em termos de vazão (medida de metros cúbicos por segundo – m3/s) durante o ano, conforme as estações, o regime de chuvas que alimenta os lençóis freáticos e o escoamento superficial. Por isso se fala em período das cheias e da vazante.
O Rio São Francisco encontra-se, neste momento que sua principal nascente está seca, no período da vazante e nisso não há novidade nem motivo para qualquer susto. A princípio, estiagens mais ou menos intensas são comuns, fazem parte da dinâmica climática e são tanto mais perceptíveis quanto maior a escala de tempo observada. Mas e se a estiagem se mantiver para além da média? O São Francisco não corre o risco de viver um momento de intermitência, ou seja, de perda completa de suas águas? Dois caminhos importantes, ou duas apreensões da forma geográfica dos rios, devem ser considerados para pensarmos nesse risco. Em primeiro lugar, é importante imaginar o rio como uma realidade geográfica linear, capaz de absorver e influenciar (ao mesmo tempo que é influenciado) uma série de situações durante o seu percurso. Em segundo, é indispensável pensar no rio como uma realidade geográfica reticular (em rede), ou seja, os rios pertencem a uma rede hidrográfica hierárquica: os maiores encontram-se numa posição no relevo que favorece o escoamento das águas de outros rios para eles. Por isso, normalmente são rios com muitos afluentes. No caso do São Francisco, encontramos um rio no topo hierárquico de sua rede hidrográfica, pois suas águas não afluem para nenhum outro rio, mas sim para o Oceano Atlântico. Ele é, na verdade, afluente do Atlântico. Isso quer dizer que ele tem uma rede hidrográfica própria que o alimenta, rede à qual podemos chamar de Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco. O São Francisco percorre vasta área na direção Sul-Norte. Ele nasce na Serra da Canastra, em Minas Gerais, e desemboca no Atlântico, na divisa entre Alagoas e Sergipe, perfazendo uma distância de 2.863 quilômetros. Conforme sua espacialidade reticular, sua bacia hidrográfica abrange 504 municípios de sete unidades da federação –Bahia, Minas Gerais, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Goiás e Distrito Federal –, cobrindo uma extensão territorial de 640 mil quilômetros quadrados.
Desse modo, o conjunto de variáveis que interferem na dinâmica do rio se distribui em território amplo, submetido à diversidade de situações climáticas, vegetacionais, geomorfológicas e, principalmente, quanto aos espaços produzidos socialmente e que implicam profundas interferências no rio, como as diferentes situações de represamento de suas águas. Por tudo isso, a seca na nascente do São Francisco representa muito pouco, tendo em vista a escala do rio e das situações que o envolvem. Neste momento, porém, a seca da nascente tem a força de simbolizar a gravidade da estiagem que atinge algumas regiões brasileiras e que está afetando o rio como um todo. O melhor dado para demonstrar a gravidade da seca é a vazão média do São Francisco registrada este ano: 49 m3/s, a menor registrada em 83 anos de medição do rio. A vazão média histórica é de 2.850 m3/s. As consequências da estiagem são gravíssimas não só para as condições naturais do rio, mas também para a população e para um conjunto de atividades econômicas. O rio é fonte geradora de energia e suas águas são intensamente utilizadas para irrigação. Contudo, um rio que percorre uma vasta área naturalmente seca e que, portanto, tem suas águas muito utilizadas, não sobreviveria caso várias providências não tivessem sido tomadas para garantir sua segurança hídrica, como a criação de grandes reservatórios. No São Francisco, os dois mais destacados são Três Marias, em Minas Gerais, e Sobradinho, na Bahia. Com essas grandes reservas de água não só se movem turbinas de usinas hidrelétricas como também se regula a vazão do rio nos momentos da vazante.
O constante fluxo que brotou tende a formar canais, mais ou menos fixos, por onde a água correrá. Mas há também escoamento superficial das águas que não se infiltram nos solos e que, seguindo a declividade do relevo, terminam se juntando aos canais que escoam das nascentes, aumentando, desse modo, o volume das águas. São essas dinâmicas complexas e combinadas que formam um rio. Um rio é, portanto, um curso d’água com um canal relativamente definido, cujas nascentes localizam-se geralmente nas encostas de montanhas ou serras, e cujo volume é aumentado em seu leito por outros rios e pelo escoamento superficial das águas. Com exceção dos rios amazônicos, situados em áreas de intensa pluviosidade, todos os demais oscilam em termos de vazão (medida de metros cúbicos por segundo – m3/s) durante o ano, conforme as estações, o regime de chuvas que alimenta os lençóis freáticos e o escoamento superficial. Por isso se fala em período das cheias e da vazante.
O Rio São Francisco encontra-se, neste momento que sua principal nascente está seca, no período da vazante e nisso não há novidade nem motivo para qualquer susto. A princípio, estiagens mais ou menos intensas são comuns, fazem parte da dinâmica climática e são tanto mais perceptíveis quanto maior a escala de tempo observada. Mas e se a estiagem se mantiver para além da média? O São Francisco não corre o risco de viver um momento de intermitência, ou seja, de perda completa de suas águas? Dois caminhos importantes, ou duas apreensões da forma geográfica dos rios, devem ser considerados para pensarmos nesse risco. Em primeiro lugar, é importante imaginar o rio como uma realidade geográfica linear, capaz de absorver e influenciar (ao mesmo tempo que é influenciado) uma série de situações durante o seu percurso. Em segundo, é indispensável pensar no rio como uma realidade geográfica reticular (em rede), ou seja, os rios pertencem a uma rede hidrográfica hierárquica: os maiores encontram-se numa posição no relevo que favorece o escoamento das águas de outros rios para eles. Por isso, normalmente são rios com muitos afluentes. No caso do São Francisco, encontramos um rio no topo hierárquico de sua rede hidrográfica, pois suas águas não afluem para nenhum outro rio, mas sim para o Oceano Atlântico. Ele é, na verdade, afluente do Atlântico. Isso quer dizer que ele tem uma rede hidrográfica própria que o alimenta, rede à qual podemos chamar de Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco. O São Francisco percorre vasta área na direção Sul-Norte. Ele nasce na Serra da Canastra, em Minas Gerais, e desemboca no Atlântico, na divisa entre Alagoas e Sergipe, perfazendo uma distância de 2.863 quilômetros. Conforme sua espacialidade reticular, sua bacia hidrográfica abrange 504 municípios de sete unidades da federação –Bahia, Minas Gerais, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Goiás e Distrito Federal –, cobrindo uma extensão territorial de 640 mil quilômetros quadrados.
Desse modo, o conjunto de variáveis que interferem na dinâmica do rio se distribui em território amplo, submetido à diversidade de situações climáticas, vegetacionais, geomorfológicas e, principalmente, quanto aos espaços produzidos socialmente e que implicam profundas interferências no rio, como as diferentes situações de represamento de suas águas. Por tudo isso, a seca na nascente do São Francisco representa muito pouco, tendo em vista a escala do rio e das situações que o envolvem. Neste momento, porém, a seca da nascente tem a força de simbolizar a gravidade da estiagem que atinge algumas regiões brasileiras e que está afetando o rio como um todo. O melhor dado para demonstrar a gravidade da seca é a vazão média do São Francisco registrada este ano: 49 m3/s, a menor registrada em 83 anos de medição do rio. A vazão média histórica é de 2.850 m3/s. As consequências da estiagem são gravíssimas não só para as condições naturais do rio, mas também para a população e para um conjunto de atividades econômicas. O rio é fonte geradora de energia e suas águas são intensamente utilizadas para irrigação. Contudo, um rio que percorre uma vasta área naturalmente seca e que, portanto, tem suas águas muito utilizadas, não sobreviveria caso várias providências não tivessem sido tomadas para garantir sua segurança hídrica, como a criação de grandes reservatórios. No São Francisco, os dois mais destacados são Três Marias, em Minas Gerais, e Sobradinho, na Bahia. Com essas grandes reservas de água não só se movem turbinas de usinas hidrelétricas como também se regula a vazão do rio nos momentos da vazante.
Infelizmente, em
plena primavera, essas reservas estão em condições críticas: Três
Marias está com 4% de sua capacidade e Sobradinho, com
25%.
Estiagem,
transposição
e mudanças
climáticas
Uma estiagem como
esta, com impactos dessa monta, reforça os argumentos sobre a transição que
estaríamos vivendo nas condições naturais do planeta, provocadas pelas mudanças climáticas, cuja marca de
frente seria o aquecimento global. Entramos num campo controverso, pois não há
como imediatamente atribuir a seca que atinge várias regiões do Brasil às
mudanças climáticas ou às variações normais do clima.
Mas o que interessa no caso não é saber se a deriva do sistema atmosférico que resultou na presença de um grande centro de alta pressão (ar seco que desce e dificulta a entrada de frentes frias que geram a precipitação) no Sudeste brasileiro está associada às mudanças climáticas ou à variação normal do clima. O que interessa notar é que isso aconteceu, está acontecendo e pode voltar a acontecer. E, nos dois lados dessa controvérsia, esses eventos cabem.Outro fato importantíssimo a se notar diante da estiagem é que o Brasil, em todas as escalas do seu Estado, não tem mecanismos nem recursos suficientes para lidar com estiagens. Por tudo isso cabe um comentário sobre a transposição das águas do São Francisco, projeto elaborado, e em andamento, sob a responsabilidade da federação, especificamente do Ministério da Integração Nacional. Vale lembrar que, pela extensão de sua bacia e de seu percurso linear, o São Francisco era chamado de o rio da integração nacional. Com esse projeto exige-se mais do rio e pretende-se que ele integre ainda mais. A obra prevê a construção de mais de 700 quilômetros de canais de concreto em dois grandes eixos (norte e leste) ao longo do território de quatro estados (Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte) para o desvio de suas águas. Embora outras transposições de rios tenham sido feitas no mundo, isso não garante o sucesso no caso do São Francisco, até porque nem todas foram bem-sucedidas. Uma obra desse porte exige estudos múltiplos e muito detalhados. Obriga que se reflita sobre todas as novas interações que vão se estabelecer, visto que estamos diante de uma intervenção complexa. Por essa razão, longos estudos de impacto ambiental foram realizados, com listagem e demonstrações exaustivas de cada um deles. Embora os autores do relatório tenham se preocupado em classificar esses impactos em positivos e negativos, a verdade é que eles são controversos. A começar pelo principal dos impactos positivos referente ao benefício direto que a água traria para o Semiárido. Parte dos críticos diz que o prejuízo para as áreas de onde a água está saindo seria maior que os benefícios obtidos para onde a água estaria indo.
Outro aspecto digno de reflexão é a enorme lista dos impactos, que se deve, em primeiro lugar, ao relatório cuidadoso que procurou contemplar tudo o que está ao alcance do nosso repertório sobre intervenções desse tipo. Duas coisas, porém, devem ser assinaladas: esse repertório tem um perfil técnico, o que é uma limitação visível; por outro lado, mesmo considerando só o ponto de vista técnico, quem garante que estamos diante de um repertório suficiente? Por fim, vale refletir se a grande lista de impactos não está nos revelando que as variáveis envolvidas são muitas e, quanto maior a escala geográfica da intervenção, mais as variáveis vão se acumulando em progressão geométrica. Ou seja, quanto maior a lista de impactos, maior será a dificuldade de controle e maior a imprevisibilidade da empreitada. Para finalizar, como fica a transposição num quadro inédito de estiagem, quando os próprios reservatórios que já existiam para dar segurança hídrica ao rio, e que foram usados na concepção do projeto da transposição, também estão se esgotando? Pensar na transposição das águas do São Francisco é dar-lhe novo papel e nova escala de ação nos espaços produzidos pelo homem, é repactuar o uso das águas. A estiagem atual no Sudeste brasileiro e o modo como esse rio está sofrendo talvez estejam nos dizendo que o pacto dessas águas tem de ser outro.
No PA, protesto bloqueia entrada para canteiro de obras de Belo Monte
Um protesto iniciado na noite de sábado (10) bloqueia a entrada de
veículos no canteiro de obras da Usina de Belo Monte, no quilômetro 600 rodovia BR-230, a
Transamazônica, no sudoeste do Pará. Segundo a Polícia Rodoviária Federal
(PRF), o protesto é organizado pela Associação dos Povos Indígenas
Nativos Ribeirinhos do Médio Xingu. A Norte Energia, empresa responsável pela Usina
de Belo Monte, condenou o bloqueio da rodovia em nota enviada à imprensa. A
empresa afirma que o bloqueio foi realizado de forma violenta e não realizará
negociação com os manifestantes enquanto perdurar o clima de ameaça e o
bloqueio da estrada.
A reportagem foi publicada pelo portal G1 e reproduzida
pelo sítio Amazônia, 12-01-2014.
Os manifestantes anunciam uma extensa pauta de reivindicações e pedem a
presença de representantes da usina e do Governo Federal para negociar a
liberação da via. Segundo a PRF, a cada meia hora os manifestantes liberam o
fluxo de veículos na rodovia, bloqueando apenas a passagem de veículos
relacionados à usina, impedidos de seguir viagem em direção ao canteiro de obras de Belo Monte.
Confira a nota da Norte Energia na íntegra:
A Norte Energia condena o fechamento da rodovia Transamazônica por um pequeno grupo de
indígenas citadinos iniciado neste sábado com o uso de violência. A
Empresa vem cumprindo todo o Plano Básico Ambiental – Componente
Indígena (PBA-CI), tendo inclusive um comitê de acompanhamento integrado por
todos os indígenas. A Empresa não realizará negociação enquanto perdurar
o clima de ameaça e o bloqueio da estrada.
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