segunda-feira, 4 de março de 2013

O papa tem corpo


O papa tem corpo

Daqui para a frente, todos os pontífices terão oficialmente um corpo, serão mortais. Sê, pois, bem-vindo à raça humana, "herr" Joseph

"... Para governar a barca de são Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor tanto do corpo como do espírito; vigor que, nos últimos meses, diminuiu em mim de tal forma que hei de reconhecer minha incapacidade para exercer bem o ministério que me foi encomendado."

Essa foi uma das mais revolucionárias declarações deste início de século. Ao anunciar sua renúncia, Bento 16 -agora papa emérito, recolhido em Castel Gandolfo- manifestou uma constatação que, embora óbvia, tomou de surpresa a tantas pessoas (dentre as quais não me incluo) mundo afora.

Que constatação foi essa? Que, como todos os seres vivos, também ele tem/é um corpo. Tal como você, eu, tal como Jesus. A corporeidade é nosso inarredável ponto de partida, pela qual somos sensíveis, relacionais e históricos.

Descer do pedestal talvez tenha sido penoso para Sua Santidade, que passou boa parte de sua vida olhando para a corporeidade alheia, em geral nela apontando o que considera mazela e desvio. Enquanto isso, instalou-se numa platônica torre de marfim em que manejava com maestria ideias e doutrinas distantes dos principais dilemas dos companheiros e companheiras de humanidade.

Eis que -à semelhança de casais homossexuais, usuários de camisinha e de anticoncepcionais, perpetradores e vítimas de pedofilia, padres ansiosos por casar, mulheres com vocação ao sacerdócio, jovens engolfados em aluvião hormonal e todas as demais pessoas- o papa parece exclamar: "Olhem, tenho um corpo!". E poderia acrescentar: "Estou com idade avançada. É difícil compreender isso?".

É, sim, e vamos demorar a interpretar esse gesto, ainda mais que, nas aparições posteriores, Bento fez alusões cifradas à hipocrisia, à divisão na igreja, a águas agitadas e a ventos contrários. A que, ou quem, se referia, concretamente?

Outro aspecto da corporeidade papal: velhice, dor e doença são sinais de finitude, mas também fontes de iluminação (lembro-me do príncipe Sidarta). Mesmo que os teólogos elaboradores de dogmas insistam que sumos pontífices são infalíveis (ok, na doutrina católica), no momento em que as articulações doem, a próstata incha e dificulta o singelo urinar, o coração exige ajuda tecnológica e uma periódica troca de pilhas, e isso tudo desemboca em invencível fadiga, então é que se vê que papas são falíveis, sim, num nível mais elementar que o doutrinal.

Contra a crença que os curiais tentaram incutir no final da vida de João Paulo 2º -agonia exposta em praça pública!-, o papa não é um holograma, um ectoplasma, um semideus ou um símbolo. Não, ele só se torna significativo quando assume radicalmente nossa comum condição humana: para dar esse passo, Bento 16 recebeu uma ajuda do próprio corpo.

A abdicação ao trono papal só pode ser considerada grandiosa ou profética porque ocorreu num ambiente enrijecido. Nas modernas corporações e instituições políticas, a troca de poder é esperada e desejável. Comparando, piscar o olho não é digno de comemorações, a não ser que ocorra num paciente após coma prolongada. Essa renúncia foi um sinal de alento, mas mostrou o nível de doença na cúpula católica.

Agora, a boa notícia: com seu gesto, o papa emérito se situa no meio de nós. Daqui para a frente, todos os pontífices terão oficialmente um corpo, serão mortais como os demais seres vivos. Sê, pois, bem vindo à raça humana, herr Joseph. Nós amorosamente te abraçamos.

JORGE CLAUDIO RIBEIRO, 64, é professor titular do Departamento de Ciência da Religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Para brasileiro ver



Para brasileiro ver

Pagamento de 14º e 15º salários a parlamentares era condenável, mas fim da benesse pouco melhora a imagem do Congresso

Em sua página pessoal na internet, o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), comemorou o fim do 14º e 15º salários de parlamentares como medida que "resgata a altivez e a dignidade" do Congresso.

Seria bom se fosse verdade. O exagero da afirmação é tão patente que não deixa espaço para ser levada a sério. A pauta de reformas para melhorar as práticas perdulárias no Parlamento é extensa, e o fim dos salários extras é apenas uma das iniciativas necessárias.

Do ponto de vista dos custos, por exemplo, a supressão dos dois vencimentos -de R$ R$ 26,7 mil cada um- representa uma economia anual de pouco mais de R$ 31 milhões aos cofres do Congresso. O montante representa mero 0,7% do orçamento de cerca de R$ 4,4 bilhões e não basta para tirar o parlamentar brasileiro da posição de segundo mais caro do mundo.

É claro que, de uma perspectiva simbólica, a aprovação unânime do projeto representa um avanço. Quando foram criados, há mais de 60 anos, os salários extras tinham a função de ajudar congressistas a voltar a seus Estados de origem. Hoje, nada justifica a benesse -cada legislador já recebe R$ 34 mil mensais para gastos gerais, como as passagens aéreas.

Entende-se, nesse sentido, que diversos parlamentares tenham feito discursos inflamados contra o benefício quando seu fim foi votado no Senado e na Câmara. O que não se entende é que tenham demorado tanto para revogá-lo.

Poucos podem dizer, em defesa própria, que não agiram antes por serem novatos no Congresso. Nas eleições de 2010, 57% dos deputados foram reconduzidos ao cargo e, entre os demais, muitos passaram pela Casa em legislaturas anteriores. Isso para não lembrar que Henrique Alves está em seu 11º mandato consecutivo.

A mudança de comportamento se explica pelo vagalhão de críticas que atinge tanto Alves quanto Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado. Ambos decerto sentiram necessidade de agir o quanto antes para tentar aplacar a hostilidade que enfrentam.

É difícil crer, no entanto, que seja mais que mero jogo de cena. Até porque já existe na Câmara proposta para aumentar a verba de gabinete dos deputados, hoje em R$ 78 mil mensais. Se aprovada, receberão por ano mais de três vezes o que acabam de perder.

Nada há de errado quando políticos se sentem constrangidos a agir por pressão da opinião pública -afinal, são representantes do povo. Tudo está errado, porém, quando apenas fingem escutar os reclamos -pois não só deixam de se emendar como acrescentam a hipocrisia a uma longa lista de vícios.

Homenagem à mulher rural e urbana acontecerá no Incra e E.F.M.M com muitos eventos



Homenagem à mulher rural e urbana acontecerá no Incra e E.F.M.M com muitos eventos
Órgãos governamentais e não governamentais preparam atividades para o Dia Internacional da Mulher com emissão de documentos, feira de produtos, palestras, shows, oficinas e atendimento de beleza na sede do Incra e E.F.M.M.
Diversos órgãos públicos municipais, estaduais e federais e entidades da sociedade civil vão homenagear as mulheres em seu Dia Internacional – 8 de março (sexta-feira) com um evento que reunirá feiras, oficinas, exposições, palestras e apresentações artísticas, na sede do Incra em Porto Velho (Av. Lauro Sodré, nº. 3050, bairro Costa e Silva), a partir de 8h30 e no sábado (9) na Estrada de Ferro Madeira Mamoré.
O evento é também uma comemoração conjunta pela marca de um milhão de atendimentos no país a ser atingida pelo Programa Nacional de Documentação da Trabalhadora Rural, do qual participam entidades sob a coordenação do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e Incra, com o objetivo de promover a cidadania à mulher do campo. Em Rondônia o programa já ultrapassou cem mil atendimentos com emissão de documentos, inscrição em programas sociais e palestras.
O público alvo será diversificado. As mulheres da zona rural farão exposição de seus produtos, artesanatos, poderão emitir seus documentos e participar das oficinas e serviços de beleza. Ao público urbano também serão destinadas muitas atrações como as feiras, exposições, shows, palestras e oficinas nos dois dias.
Sob a coordenação da Delegacia Federal do Desenvolvimento Agrário (Dfda) e Incra, participam o governo do Estado de Rondônia (Shopping Cidadão e secretarias), prefeitura de Porto Velho, Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), INSS, Emater-RO, Ceplac, Conab, Sebrae, Senac, Senar, Santo Antônio Energia, Comissão Pastoral da Terra, Associação Kanindé, Coletivo C.A.O.S., Economia Solidária e Centro de Estudos Rioterra.

Assentamentos rurais recebem Telecentros



Assentamentos rurais recebem Telecentros

Enquanto continuam suas lutas pela reforma agrária e pela ocupação de terras, os trabalhadores rurais de mais de 20 assentamentos na Paraíba estão prestes a receber tecnologia de ponta: além dos telecentros com internet em banda larga (wi-fi), também terão linhas de Voip para fazer ligações telefônicas sem custo.

A inclusão digital dessas localidades é uma das linhas principais de atuação da Associação Nacional para Inclusão Digital (Anid), queparticipou de uma reunião com os representantes dos assentamentos e lideranças da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Na ocasião, os trabalhadores rurais expuseram seus principais problemas, dificuldades e lutas e também mostraram suas conquistas mais recentes. Uma das maiores dificuldades diz respeito ao acesso às tecnologias, pois em algumas comunidades sequer existe telefonia fixa ou móvel.

O presidente da Anid, Percival Henriques, ouviu os relatos e falou da proposta da Anid, voltada para o fortalecimento da inclusão digital nas comunidades rurais. A partir do projeto de Letramento Digital, cada comunidade receberá internet – sem custos – nos telecentros já existentes e nos que serão construídos com ajuda da Associação. Os locais também serão dotados de um terminal de VOIP – tecnologia que permitirá efetuar ligações telefônicas a partir de protocolos de internet – para facilitar a comunicação entre os assentamentos.

Os assentamentos contemplados com o projeto são:

Nova Conquista (São Jose dos Ramos)

Novo Horizonte (Juarez Távora)

Nossa Senhora Aparecida (Itabaiana)

Salomão (Itabaiana)

Novo Salvador (Jacaraú)

Boa Esperança (Jacaraú)

Jardim (Curral de Cima)

Padre Gino (Sapé)

Capim de Cheiro (Caaporã)

Padre João Maria (Mogeiro)

Dom Marcelo (Mogeiro)

Almir Muniz (Mogeiro)

João Gomes (Alhandra)

Gurugi II (Conde)

Frei Anastácio (Conde)

Dona Antonia (Conde)

Barra de Gramame (Conde)

Dona Helena (Cruz do Espirito Santo)

Santa Emília (Pedras de Fogo)

Nos próximos dias, a Anid vai fazer visitas nessas localidades para elaborar um calendário de implantação deste projeto. Haverá também pontos de Wi-Fi nas proximidades das sedes dos assentamentos e parceria com instituições de ensino, para a capacitação dos assentados, de modo a promover uma correta utilização da internet, como forma de democratizar a informação e socializar o conhecimento.

Campanha contra agrotóxicos convoca mutirão para abaixo-assinado



Campanha contra agrotóxicos convoca mutirão para abaixo-assinado
 
Intenção é conseguir, até abril, um milhão de assinaturas em todo o Brasil
Kauê Scarim
02/03/2013 19:11 - Atualizado em 03/03/2013 14:07
Desde 2008, o Brasil ocupa o “grandioso” posto de maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Hoje, cada brasileiro consome, em média, 5,2 litros de venenos por ano. Existem, no Brasil, 15 princípios ativos de agrotóxicos já proibidos em muitos outros países, por serem nocivos à saúde humana e poderem, inclusive, causar vários tipos de câncer, problemas de fertilidade e outros males.
Desde o dia 7 de abril de 2011, diversos movimentos, entidades, instituições de pesquisa e outros atores constroem a “Campanha permanente contra os agrotóxicos e pela vida”, que visaa sensibilizar a população sobre os riscos que os venenos representam, tanto para a saúde quanto ao meio ambiente, bem como formular propostas para barrar o avanço e frear o uso dos agrotóxicos no Brasil.
Os militantes querem, no aniversário de dois anos da campanha, entregar à presidente Dilma Rousseff um abaixo-assinado com um milhão de assinaturas exigindo o banimento dos 15 princípios ativos – ou, como está sendo chamado pela convocatória, o “banimento dos banidos” –, no intuito de proibir a importação, fabricação, comercialização distribuição dos venenos.
São agrotóxicos como o Endossulfan e o Metamidofós, proibidos em cerca de 45 países, entre eles a União Europeia, Japão, EUA, Índia, Sudão, Burkina Fasso, Cabo Verde, Senegal, Austrália e Canadá.
De 7 a 15 de março, a campanha vai realizar um mutirão em todo o País para o recolhimento das assinaturas. Em Vitória, o comitê estadual convoca o recolhimento das assinaturas para a semana de 11 a 15 de março, na saída do Restaurante Universitário do campus de Goiabeiras da Universidade Federal do Estado (Ufes).
Compõem a campanha entidades como o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), a Comissão Pastoral da Terra (CPT), a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), diversas universidades federais, entidades sindicais e ONGs.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Transnordestina R$ 2,1 bilhões mais cara



Transnordestina R$ 2,1 bilhões mais cara


A Ferrovia Transnordestina ficou R$ 2,1 bilhões mais cara, admitiu o governo federal. Há um ano, em visita a Pernambuco, a presidente Dilma Rousseff fez um discurso duro e alardeou que não daria aditivos à concessionária Transnordetina Logística (TLSA). A empresa responsável pela ferrovia já pressionava o governo por um novo aditivo ao orçamento, na época em R$ 5,4 bilhões. Com a divulgação de um novo balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), o relatório mostrou quem venceu a parada: a obra apareceu pela primeira vez nas planilhas oficiais com um valor de R$ 7,5 bilhões. Extraoficialmente, também já se fala em um novo atraso da obra, que teria conclusão jogada para 2016.


A Transnordestina é uma ferrovia de 1.728 quilômetros de trilhos em um traçado que unirá três destinos diferentes. De Eliseu Martins, no Piauí, a linha férrea vai para Salgueiro, em Pernambuco, de onde saem dois ramais. Um para o Porto de Pecém, no Ceará e o outro para Suape.

As obras começaram em 5 de julho de 2006, com cerimônia que contou com a participação então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em um grande evento em Missão Velha, no Ceará. Apesar da presença de operários e da movimentação de máquinas no canteiro de obras, num cenário montado para criar um noticiário positivo, no dia seguinte tudo estava parado. O primeiro de uma sucessão de problemas que marcariam o projeto.

Naquele início das obras, a promessa de Lula era ter a ferrovia funcionando em 2010. Ao final do governo passado, o prazo já tinha sido adiado para 2012. Ano passado, o cronograma mudou: o ramal de Suape sairia em 2013 e o de Pecém, em 2014. Ontem, durante a apresentação do balanço do PAC 2, o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, disse que a obra será “100% concluída até o final de 2015”. Extraoficialmente, já se fala que a ferrovia sairá apenas em 2016.

O orçamento era mantido em R$ 5,4 bilhões desde o governo Lula. As obras são tocadas pela Odebrecht. “Posso assegurar que o governo já fez várias avaliações econômico-financeiras sobre a ferrovia e não pretende ficar elevando indefinidamente o orçamento. Sabemos que numa obra desse tamanho há sempre gastos não planejados, mas temos certeza de que nosso orçamento está bem próximo da realidade”, afirmava Dilma em Salgueiro, no dia 9 de fevereiro do ano passado.

A TLSA pertence à Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), do empresário Benjamin Steinbruch. O financiamento é do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco do Nordeste (BNB), Sudene e do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (Finor).

Fonte: Jornal do Commercio/PE / Giovanni Sandes

Categoria: Matérias / Noticias

 

Primeira reunião preparatória para o conclave acontecerá na segunda-feira



A primeira reunião preparatória para o conclave de cardeais, assembleia responsável por escolher um novo Papa após a renúncia de Bento XVI, acontecerá na próxima segunda-feira, confirmaram fontes do Vaticano.

O decano do colégio de cardeais, Ângelo Sodano, já enviou cartas a todos os cardeais, tanto eleitores (com menos de 80 anos) como não eleitores. Ele pede o comparecimento na segunda-feira a partir das 8h30 GMT (5h30 de Brasília), para a primeira das reuniões, conhecidas como congregações gerais.

O encontro acontecerá na Ala Nova do Sínodo, onde o Vaticano organizar sínodos (assembleias de autoridades eclesiásticas) e conferências.

A partir de segunda-feira acontecerão várias congregações gerais, nas quais serão discutidos os problemas da igreja e que servirão para definir o perfil do futuro Papa.

Alguns temas que devem ser abordados são a reforma da cúria romana (o governo da Igreja) e a investigação interna sobre o caso "Vatileaks" (vazamento de documentos confidenciais do Vaticano), assim como os escândalos e polêmicas dos últimos anos.

Na lista figuram o ato de acobertar a pedofilia, a corrupção, a secularização em muitas regiões, a influência de outras religiões e os problemas morais relacionados com a família.

O conclave pode começar na semana de 11 de março com o objetivo de ter um novo Papa para a Páscoa, a festa mais importante do calendário católico.

Entre os nomes apontados como favoritos para suceder Bento XVI estão o italiano Angelo Scola, o canadense Marc Ouellet, o austríaco Christoph Schönborn, o húngaro Peter Erdö, o brasileiro Odilo Scherer, o ganense Peter Turkson e o filipino Luis Antonio Tagle.